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Conceição Evaristo: da origem humilde de BH à Academia Brasileira de Letras

Mulher, negra e ex-doméstica, ela se apaixonou desde criança pelo mundo de aventura das palavras. Hoje o nosso #BelezaQueInspira é com a escritora mineira Conceição Evaristo. Nascida e criada na comunidade carente de Pendura Saia, em Belo Horizonte (MG), este mês pode tornar-se a primeira mulher negra dona de uma cadeira na centenária e aclamada Academia Brasileira de Letras (ABL).

Aos 71 anos ela é um dos principais nomes da nossa literatura nacional e debate em suas obras questões racial e de gênero. Batalhas que enfrentou durante toda a sua vida. De família pobre, com nove irmãos, foi criada pela mãe e a tia, ambas empregadas domésticas e semianalfabetas. Com elas descobriu o mundo da contação de histórias e na escola se apaixonou pelos livros.

Lançou-se nos estudos para realizar seu primeiro sonho: ser professora. Ao mesmo tempo em que trabalhava como babá, faxineira e vendedora de revistas. Cursou o normal, mas sem oportunidade na capital mineira, veio para o Rio de Janeiro. Enquanto fazia a graduação em Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, começou a dar aulas na rede pública. Depois especializou-se em Literatura na UERJ, e hoje é doutora pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio.

 

Da Origem Humilde em BH à Academia Brasileira de Letras

A primeira obra levou 20 anos para ser publicada. Hoje com seis livros publicados, entre romances, poesias e contos – como Ponciá Venâncio (2003), já lançado nos Estados Unidos, França e México, Becos da Memória (2006) e Histórias de leves enganos e parecenças (2016) – Conceição foi vencedora do Jabuti, a premiação mais importante e tradicional da literatura nacional, na categoria Contos com Olhos D’Água (2014).

No dia 30 de agosto, acontece a eleição da Academia Brasileira de Letras (ABL) para ocupar a cadeira de número 7, que tem como patrono Castro Alves, conhecido como o poeta dos escravos. É a esse lugar que Conceição Evaristo concorre. Se a escolha ocorrer, será a primeira vez em 120 anos que a ABL terá uma escritora negra como membro.

 

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